Author name: Dino@_def

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Contra a Esperança: Manuel Curado, Filósofo

Uma das coisas que a filosofia tem de explicar ao mundo é o facto embaraçoso de não ter oferecido à humanidade um único assunto que seja radicalmente diferente dos outros assuntos. Afinal, se tudo é semelhante a tudo em algum aspeto, constrangimento metafísico que limita tudo o que os seres humanos podem pensar, não está ao alcance da filosofia oferecer um assunto que não tenha qualquer semelhança com assuntos já conhecidos. Isso é impossível.
O medo não é exceção: todos os assuntos que causam medo às pessoas são semelhantes a todas coisas que não causam medo, partilhando com estas muitas propriedades. Por conseguinte, o medo não existe de facto; faz parte da coleção de assuntos que parecem existir, mas que, quando se averigua, vê-se que não existem.
É possível, pois, que não haja qualquer Esclarecimento a fazer, seja sobre o medo, seja sobre qualquer outro assunto. Como não há assuntos que violem a lei da semelhança de tudo com tudo, a filosofia e as outras atividades humanas limitam-se a entreter as pessoas.

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“Ansiedade e Admiração, Medo e Espanto, são, na minha opinião, os dois lados da mesma moeda.”, diz Maria Balaska, Filósofa

este episódio, gravado no ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia, em 2025, Maria Balaska convida-nos a refletir sobre um medo particular, que todos vivemos com experiências do quotidiano.
Será o medo sempre algo negativo? Costumamos associá-lo ao perigo e ao sofrimento, mas a filosofia sugere que existe uma forma de medo que não aponta para uma ameaça concreta, mas para algo mais profundo: a consciência da nossa liberdade e a incerteza sobre como viver uma vida significativa.
Neste episódio, Maria Balaska explora a ansiedade existencial a partir do pensamento de filósofos como Heidegger e Kierkegaard, levando-nos a ponderar sobre os momentos em que as convenções ficam aquém das respostas que procuramos — como acontece frequentemente na crise da meia-idade quando começamos a questionar o fundamento das nossas escolhas. Afinal, o que é uma boa vida? Esta é uma pergunta que nenhuma regra social pode responder por nós.
Ao longo do seu discurso, Maria Balaska ajuda-nos a reformular a forma como percepcionamos o medo e como este, o espanto e a admiração podem estar mais ligados do que pensamos. Talvez estas emoções aparentemente opostas são, afinal, como Balaska diz, “duas faces da mesma moeda.”. Da figura de Aquiles à etimologia de palavras como wonder e terrific, este episódio convida-nos a olhar para as emoções com nuances e a reconhecer que, por vezes, é precisamente o desconforto que nos aproxima de uma vida mais autêntica.
Porque talvez o medo não seja apenas algo a superar, mas também um convite a perguntar quem somos e como queremos viver.
Voltamos para a semana!

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Manuel João Vieira não sabe estar sem fintar – e nós não estávamos preparados.

Manuel João Vieira não sabe estar sem fintar — e nós não estávamos preparados.
Neste episódio, recebemos o pintor, músico, fundador dos Ena Pá 2000 e candidato à Presidência da República que promete, entre outras coisas, dar aos portugueses tudo aquilo que eles quiserem.
Falamos de grandes monstros disfarçados de pequenas bagatelas: inteligência artificial, genocídios, aquecimento global, capitalismo, estupidez e política. Mas também de pintura, surrealismo, psicanálise, infância, música obscena, autorretratos e da eterna dificuldade de responder à pergunta: “Afinal, quem és tu?”
Manuel João Vieira explica por que razão a irreverência é uma arma, como uma pintura pode nascer de uma espécie de alucinação e reflletimos como talvez existam dois Manueis “Joões” Vieiras — o que pinta e o que escreve sobre aquilo que pinta.
E depois há a Caixa do Desejo Filosófico. Sabão, bússola, pilha, maçã, dominó… Manuel explica e, sobretudo, finta-nos a cada curva. No fim, contra todas as expectativas, ganha a bússola.
Porque, entre o caos, o humor, a melancolia e uma quantidade considerável de fintas, talvez haja apenas uma coisa a fazer: não perder o norte.
Voltamos para a semana!

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“A morte não é um bem nem é um mal, é um acontecimento neutro” – Marta Faustino, Filósofa

A morte é um mal a evitar ou a condição que dá sentido à vida? Neste episódio gravado no ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia em 2025, Marta Faustino leva-nos numa viagem por duas das mais influentes perspetivas filosóficas sobre a morte, colocando em diálogo Epicuro e Martin Heidegger. Embora ambos se debrucem sobre a mesma problemática, as suas respostas não podiam ser mais distintas.
Para Epicuro, a morte é uma fonte de sofrimento apenas porque a tememos injustificadamente: “A morte não é um bem nem é um mal, é um acontecimento neutro” que nada significa para quem morre. Se não nos inquieta o facto de nada termos sido antes de nascer, também não deveria angustiar-nos o facto de deixarmos de existir depois da morte. Libertar-nos desse medo é, para Epicuro, a condição para viver serenamente e aproveitar a vida com tranquilidade — carpe diem.
Heidegger, pelo contrário, não procura dissipar a consciência da morte, mas aprofundá-la. A morte não é apenas um acontecimento biológico, mas a possibilidade mais própria e extrema da existência: “a morte é a possibilidade da impossibilidade de todas as outras possibilidades.” Ao confrontarmo-nos com a nossa finitude, rompemos com a inautenticidade da vida quotidiana — em que a morte parece acontecer sempre aos outros, nunca a nós — e abrimos espaço para uma existência singular e autêntica (Dasein).
No fundo, este episódio coloca-nos perante duas formas radicalmente diferentes de viver: procurar a tranquilidade libertando-nos do medo da morte ou assumir a finitude como a condição de uma vida verdadeiramente autêntica. Entre o carpe diem de Epicuro e o Dasein de Heidegger, que filosofia de vida faz mais sentido para si?
Embarque nesta reflexão connosco e vemo-nos na próxima semana!

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“Firmes no alho”: Descubra porque uma simples cabeça de alho é o objeto que mais desperta o desejo filosófico de Ricardo Araújo Pereira.

Neste episódio d’O Princípio da Inquietação temos a alegria de receber Ricardo Araújo Pereira, uma das principais cara do humor, da comédia e do riso do nosso país Ricardos convida-nos a refletir sobre a sua mais recente inquietação: a famosa Treta Solene — A tendência para transformar emoções em argumentos, sentimentos em verdades e opiniões em manifestações profundas de identidade. Transformar “tretas” que não são assim tão sérias em coisas sérias, profundas e intocáveis.
Nesta conversa, Ricardo parte do humor para pensar precisamente sobre aquilo que o humor vem perturbar: a ideia de que devemos respeitar em demasia as emoções, as identidades e as convicções dos outros a ponto de já não podermos rir delas. Fala-se da “entronização do emocional”, da hegemonia do eu e dessa curiosa ideia contemporânea de que, se somos todos especiais, então ninguém é verdadeiramente especial.
O humor tem o “belo e nobre” ofício de expor as nossas contradições e nos recordar que, por mais especiais que nos julguemos, continuamos todos na mesma sarjeta. Cada gargalhada é um esquecimento momentâneo de que todos vamos morrer. Da Filosofia à Censura, de Aristóteles a Sartre, da Esquerda à Direita, foram vários e variados os tópicos que nutriram esta conversa. Os elos de parentesco entre o humor e a filosofia, e o ceticismo como um ponto de partida comum para ambos.
No fim, há espaço para alho, esgotos, batons, garfos e outras objetos que podem despertar os nossos desejos filosóficos. Quando um alho destrona um batom, tudo é possível. Ricardo Araújo Pereira é um filósofo que nos faz rir.
Junte-se a nós neste brilhante episódio. Vemo-nos para a semana.

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Guerra com drones é um feitiço que causa danos à distância — Peter Sloterdjik, filósofo

Neste episódio gravado no ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia, em 2025, escutamos Peter Sloderdjik, um dos filósofos contemporâneos mais reconhecido. O que nos propõe é uma reflexão sobre o medo numa ótica um pouco diferente e ousada. Como passámos da magia à tecnologia? E porque continuamos a temer ameaças que atuam à distância?
Sloterdijk submete uma proposta sobre a genealogia da tecnologia moderna, argumentando que ela não conflitua com o pensamento mágico, mas racionaliza-o. Da magia simbólica às máquinas, da gravidade de Newton aos mísseis, drones, hackers e guerras contemporâneas, o filósofo demonstra como o antigo desejo de agir à distância (actio in distans) continua presente nas novas formas tecnológicas de poder e destruição.
A partir do conceito de telemalignidade, Sloterdijk analisa a evolução da violência remota, questiona a relação entre tecnologia, medo e poder, e introduz a ideia de imunidade como um conceito fundamental para compreender a condição humana. Num mundo em que as ameaças circulam cada vez mais depressa e mais longe, este episódio convida-nos a pensar de que forma podemos construir mecanismos de proteção que ultrapassem as fronteiras nacionais, religiosas e ideológicas.
Uma reflexão sobre magia, técnica, guerra e filosofia, que desafia a forma como entendemos o presente e o futuro das sociedades humanas.
Junte-se a nós neste novo episódio do Princípio da Inquietação.

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“Eu sofria muito de tédio. Acho que, em parte, a minha criatividade vem daí” diz Rita Red Shoes, cantora e compositora

Neste episódio, conversamos com Rita Red Shoes sobre os bastidores do processo criativo e a forma como a música se relaciona com outra grande parte da sua vida: a psicologia. Antes de tudo isso, descobrimos que automobilistas que na autoestrada vão na faixa do meio a inquietam muito. Circule na faixa da direita.
Aprendemos que a criatividade nasce num lugar que parece ser o seu oposto: o tédio, o “tempo de nada”. Questionamos se existe uma fórmula para escrever canções, e se a pergunta “o ovo vem antes da galinha” também se aplica no mundo musical: A letra vem antes da melodia, ou a melodia é que vem antes da letra? Para a nossa convidada, a sua forma de trabalho não se prende a barreiras fixas: há músicas à espera de palavras e palavras à espera de música.
A conversa passa também pelo papel do instinto como “bússola” artística, pela aprendizagem através do erro e como todos os sons são possíveis de se tornar música.
Exploramos ainda a ligação entre psicologia e arte, a forma como nos conhecemos através do outro e projetos que usam a expressão artística como ferramenta terapêutica, demonstrando como a música consegue chegar a lugares onde as palavras, muitas vezes, não chegam.
Terminamos o episódio com a nossa dinâmica habitual da caixa do desejo filosófico, e descobrimos que o de Rita Red Shoes é uma árvore. Para saber o porquê, junte-se se a nós neste episódio, inquiete-se.

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“Trump é a lenda de Putin”, diz Michel Eltchaninoff, Filósofo

Neste episódio, gravado ao vivo no ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia 2025, o filósofo Michel Eltchaninoff apresenta um conceito de medo que muitos sentimos: a polemofobia, um medo geopolítico, dos confrontos e das guerras. Aquele medo gerado quando ouvimos as notícias e vemos imagens das tragédias bélicas no mundo, como em Gaza, Teerão ou na Ucrânia, e sentimos que a instabilidade do mundo lá for a também nos pode alcançar.
Partindo da ideia kantiana da Paz Perpétua, Michel reflete sobre a forma como passámos da esperança de uma era de estabilidade pós-Guerra Fria para um mundo que parece regressar à visão de Heraclito: “a guerra é o pai de todas as coisas”. Num contexto marcado pelo regresso dos conflitos armados e pela ascensão de figuras como Vladimir Putin e Donald Trump — que explora a ideia de “Putin-Trumpismo” —, questiona o impacto destas transformações na democracia, no nosso imaginário coletivo e nos leva ao ponto de perplexidade, de “Espanto”. E o que é o espanto? Nas palavras de Michel “É um estado tão extremo de estupefação que não se consegue reagir; não se consegue fazer nada.”
Mas este episódio não se fica pelo diagnóstico. Falamos sobre o espanto como estado de paralisia perante um mundo que parece escapar ao nosso controlo e sobre a importância de enfrentar o medo em vez de fugir dele. Porque, como recorda Michel, dar um nome ao perigo é o primeiro passo para o compreender, e, além disso, “o medo é maior à distância e diminui quando nos aproximamos.”
Num tempo de incerteza, Michel faz-nos um convite à reflexão: E deixa-nos um repto: “Vamos baixar a cabeça ou vamos tornar-nos combatentes da resistência?” Talvez a resposta não esteja em atos heroicos, mas naquilo que cada um de nós ainda pode fazer: nas palavras, nas conversas, nos textos que escrevemos, nos votos que fazemos e nas causas que decidimos defender.
Não paremos de pensar e de o fazer juntos. Vemo-nos para a semana.

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Será a nossa maior riqueza o sermos incompletos? – Raquel Marinho, Jornalista e storyteller

Neste novo episódio, a nossa convidada, Raquel Marinho, fala-nos das suas grandes inquietações quese enquandram nas grandes questões da filosofia: haverá vida depois da morte? Onde é que eu estava antes de ter existido? Existe Deus ou algum tipo de transcendência? Essa transcendência interfere ou não na minha vida?
Para Raquel Marinho, o ainda não ter resposta não é um problema, pois, nas suas palavras “É a dúvida que alimenta a procura”. Este episódio está recheado de conversa, humildade e entendermos que a resposta “eu não sei” continua a ser válida.
Será possível dizer se uma poesia é boa ou má? Talvez não. Talvez haja outro critério para avaliar a sua eficácia: o desconforto. Fazendo das palavras da poeta portuguesa Ana Hatherly as suas, Raquel cita “Quando o poema é bom, não te aperta a mão, aperta-te a garganta”. Esse desconforto, essa inquietação gerada quando nos étirado o chão, não é má em si mesma, mas sim aquilo que nos entrega uma imagem nova de algo que conhecíamos mas não conseguíamos denominar.
Para que serve a poesia? Se calhar chocante para uns, ou óbvio para outros, a Poesia não serve para nada. Mesmo não tendo utilidade, acrescenta à vida coisas que não experimentaríamos sem ela. Nas palavras de Raquel, “A utilidade é uma palavra que não faz muito sentido quando falamos de poesia, mas ainda bem”.
Refletimos sobre o que realmente importa na vida, e através de um excerto de Amália Bautista, chegamos à conclusão de que há poucas coisas que realmente importam: amar e ser amado, e não morrer antes dos nossos filhos.
Tentámos ainda descobrir o grau de parentesco entre a Poesia e a Filosofia. Serão mãe e filha? Se sim, qual ocupa que papel? Serão irmãs ou primas afastadas? O que sabemos é isto “Partilham o Espanto.
Por fim, “A maior riqueza do homem é a sua incompletude”, de Manuel de Barros, é a frase que marcou este podcast pela refleção de que verdadeiramente somos incompletos, e há paz em reconhecer a nossa incompletude
Não é o não encontrar respostas que nos faz desistir de perguntar. Não desista de perguntar, de pensar, de se inquietar.

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“Não podemos fazer com que o sonho de uns seja o pesadelo de outros”, afirma Daniel Innerarity, filósofo

Neste episódio, gravado no ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia, em 2025, Daniel Innerarity, filósofo, reflete sobre o medo como um fator inerente da condição humana. O medo não é uma característica exclusiva da nossa era: os seus objetos podem mudar ao longo da história, mas o medo permanece. Ao reformular um conhecido provérbio, o Daniel Innerarity afirma: “Diz-me de que tens medo, e eu dir-te-ei quem és”, sublinhando que são os nossos medos que nos revelam.

Innerarity analisa também a relação entre medo e segurança, recorrendo às ideias do sociólogo alemão Niklas Luhmann, explorando como a sensação de segurança depende, em grande medida, das expectativas que criamos: quanto mais elevadas forem essas expectativas, maior será a perceção de insegurança. Paradoxalmente, o progresso aumenta o desejo de uma proteção ainda maior. À medida que a sociedade melhora, tem tendência para esquecer as dificuldades do passado, perdendo a memória das conquistas alcançadas e tornando-se mais exigente perante os problemas que persistem.
Esta ideia aproxima-se da reflexão de Alexis de Tocqueville “Quanto mais residual é um fenómeno negativo, mais intolerável ele se torna.” O progresso, em vez de eliminar a insatisfação, o que faz é redefinir os nossos padrões de avaliação da realidade.
O filósofo aborda ainda a transformação da identidade nas sociedades contemporâneas, marcada pela passagem de uma identidade convencional para uma identidade pós-convencional. Hoje, a biografia de cada indivíduo é menos determinada pelo destino e mais pelas decisões que toma. No entanto, esta liberdade traz consigo um novo peso: já não existe apenas o direito de decidir, mas uma verdadeira obrigação de escolher, gerando ansiedade e responsabilidade permanentes.
Daniel Innerarity identifica dois desafios centrais do presente: o medo de perder a democracia e a necessidade de compreender os medos dos outros. Recuperando uma reflexão de Charles Taylor, faz um apelo: “não podemos fazer com que o sonho de uns seja o pesadelo de outros”, defendendo que uma sociedade democrática exige a conciliação de perspetivas distintas.
Nas palavras do nosso convidado “Se colocarmos as coisas de forma tão dicotómica, inevitavelmente falharemos e, certamente, não evitaremos o medo.”

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