Do consumidor ao Hiperconsumidor

65,00 

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Sessões: 1 sessão
Duração: 2h
Data: 6 de maio
Horário: 18:00 – 20:oo
Inscrições: a decorrer
Tradução: PT/ EN/ FR/ ES

Sinopse: Já não estamos na «sociedade de consumo», mas na era da sociedade de hiperconsumo, uma nova fase histórica do capitalismo de consumo. 

Do consumo estatutário ao consumo individualizado 

Neste contexto, impõe-se um «turbo-consumidor» móvel e flexível, amplamente liberto das antigas culturas de classe. De um comprador sujeito às constrições sociais do estatuto, passámos para um hiperconsumidor à procura de experiências emocionais, de qualidade de vida e de saúde, de marcas e de natureza, de imediatismo e de comunicação ilimitada. 

O consumo individualizado substituiu o consumo honorífico num sistema em que o comprador está cada vez mais informado e infiel, reflexivo e «estético». O hiperconsumo consagra o novo poder do comprador. 

O culto das marcas 

Ao mesmo tempo que se esgotam os hábitos de classe, cresce o poder simbólico das marcas: os dois fenómenos são correlativos. A sociedade de hiperconsumo é a da omnipresença e da obsessão pelas marcas. 

O consumo colaborativo 

As nossas sociedades já não se assemelham exatamente àquela que descrevia Guy Debord, quando estigmatizava o triunfo do consumidor passivo. Cada vez mais vemos desenvolver-se um consumidor «especialista», com novos poderes de escolha e de expressão. Com a Internet e as plataformas digitais, assistimos à ascensão de um consumidor-ator que compara preços, troca de igual para igual e escapa aos circuitos tradicionais do comércio (o consumo colaborativo). 

Qualidade de vida, biológico e local: consumir melhor 

Ao mesmo tempo, vivemos uma nova era do bem-estar, tornada mais sensualista e qualitativa, estética e experiencial. Ao conforto quantitativo, funcional e mecanicista dos primeiros tempos da sociedade de consumo sucedeu um bem-estar emocional e sensorial dominado pela procura da qualidade de vida, do natural e do bem-estar. 

Um pouco por toda a parte, observa-se o crescimento do consumo de produtos biológicos.  A nossa época regista também o sucesso dos produtos regionais de fabrico artesanal, dos produtos locais, das certificações oficiais de origem e de saber-fazer. 

Os consumidores mostram-se cada vez mais atraídos por produtos locais, pelo «feito na região», pelo autêntico. 

O consumo comprometido e o consumidor-cidadão 

Não é apenas a preocupação com a saúde que sustenta estes comportamentos. Muitos consumidores escolhem produtos biológicos por razões éticas e ecológicas. 

Consumir alimentos biológicos está associado a um ato de cidadania planetária, a um gesto ético, a um compromisso pessoal que contribui para o respeito pelo ambiente, pelos ciclos naturais e pelo bem-estar animal. 

O gosto pelos produtos ecológicos e locais traduz a vontade de ser um consumidor-cidadão, um «consum’ator» que exprime um compromisso ético ou político e envolve a pessoa na sua totalidade — os seus valores e convicções — muito para além da simples função utilitária do consumo. 

Mas o consumidor cidadão ultrapassa largamente os limites do domínio da alimentação. Hoje, os consumidores assinam petições, escolhem comprar ou boicotar uma marca pelas suas posições públicas, recusam ser clientes das grandes superfícies ou da Amazon, por exemplo. 

A nossa época é contemporânea da emergência do que se chama consumo responsável e cidadão, em que o consumo aparece como um domínio que exige um compromisso pessoal portador de valor e de sentido. 

Desenvolve-se um novo espírito de consumo marcado pela exigência de dar sentido aos atos de compra. 

O mito do recuo do apetite de consumo 

Somos testemunhas da ascensão de novas atitudes de consumo: alugar em vez de comprar, comer biológico, eco mobilidade, eco consumo, consumo colaborativo, ceticismo em relação ao consumo como via de acesso à felicidade. 

Ainda assim, estes fenómenos não anunciam o fim do tropismo consumista. Em todo o lado, as compras online disparam, o turismo nacional e internacional cresce de ano para ano, o mercado dos cruzeiros está em pleno desenvolvimento, os consumos de séries televisivas e de música batem recordes, os fãs de videojogos multiplicam-se, a frequência dos parques de lazer está em alta. 

Numa época em que «dar prazer a si próprio» se tornou um comportamento legítimo, o cenário mais provável é que teremos maior preocupação com o consumo sustentável, mas, ao mesmo tempo, mais consumo de lazer, de jogos, de moda, de viagens, de música, de filmes, de concertos, de restaurantes, de festivais e de cuidados do corpo. O advento de uma cultura pós-consumista não pertence aos cenários prováveis do futuro próximo. 

Na realidade, nunca se compraram tantos bens materiais, produtos eletrónicos, artigos para a casa e para a decoração. E mesmo que o consumo de bens manufaturados viesse a diminuir, como imaginar um movimento de decrescimento no domínio do consumo de medicamentos, das consultas, análises e exames médicos?

 

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Idioma

Francês

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