A sociedade de hiperconsumo torna-nos mais felizes?

65,00 

- +

Sessões: 1 sessão
Duração: 2h
Data: 10 de junho
Horário: 18:00 – 20:00
Inscrições: a decorrer
Tradução: PT/ EN/ FR/ ES

Sinopse:

A sociedade de hiperconsumo é a da «felicidade paradoxal». Consumimos três vezes mais energia do que nos anos 1960, no entanto ninguém pode sustentar que somos três vezes mais felizes. Quanto mais se multiplicam os prazeres privados, mais se afirmam as frustrações da vida íntima, as ansiedades e depressões, as desilusões afetivas e profissionais. As insatisfações consigo próprio progridem proporcionalmente às satisfações proporcionadas pelo mercado.

Encontramos aqui o famoso paradoxo de Richard Easterlin: quando o rendimento médio de um país aumenta, o nível médio de felicidade não aumenta necessariamente; o crescimento económico não conduz automaticamente a um aumento duradouro da felicidade coletiva.

O nosso poder sobre as «coisas» segue uma curva exponencial, mas o poder que temos sobre a alegria de viver permanece muito limitado. A escalada consumista está longe de fazer progredir a felicidade. As chaves que abrem as portas da felicidade não evoluem — ela escapa obstinadamente ao controlo dos homens.

O consumismo não é a chave da felicidade.

A que se deve isso?

Consumo, publicidade, frustração

Acusa-se frequentemente o capitalismo de sedução de gerar sistematicamente frustração através da publicidade e da criação permanente de novas necessidades. «Bombardeando» os consumidores, criando necessidades supérfluas, relançando continuamente novos desejos de aquisição, identificando a felicidade com os bens de mercado, a publicidade é acusada de ser uma armadilha que aprofunda indefinidamente a insatisfação dos indivíduos.

Estas críticas são justificadas? Que poder deve ser atribuído à máquina publicitária, tanto na organização dos modos de vida como nas satisfações e insatisfações do Hiper consumidor?

Apesar de todo o seu arsenal de sedução, a influência da publicidade sobre os indivíduos permanece, em última análise, limitada. Porque se revela incapaz de moldar integralmente os gostos e as aspirações, de desestabilizar massivamente o «realismo» dos consumidores, a publicidade assemelha-se mais a um poder moderado do que a uma dominação totalitária.

De facto, sofremos menos com os excessos da sociedade de consumo do que com as dificuldades da vida afetiva, íntima e profissional. As frustrações ligadas ao consumo são limitadas; as relativas à existência subjetiva e intersubjetiva agravam-se.

Hiperconsumo, crise climática e ecológica

Se é inegável que a sociedade de hiperconsumo proporciona inúmeras satisfações lúdicas, recreativas e emocionais, também contribui amplamente para a crise climática, com o seu conjunto de desastres e sofrimentos. A felicidade prometida pelo consumismo é também um fator de agravamento do trágico planetário, que cresce a grande velocidade. Para muitos teóricos, o hiperconsumo é um dos principais motores do colapso global da nossa civilização.

Poderemos escapar ao desastre ecológico anunciado? Como viverão as gerações futuras se a escalada consumista continuar?

A decrescimento e a redução do consumo serão a solução?

Perante os danos ecológicos e as frustrações, surgem correntes radicais que, denunciando a tentação mercantil, exaltam o decrescimento, o pós-desenvolvimento, a redução do consumo e a «simplicidade voluntária».

Denunciando a corrida desenfreada ao «ter mais», os defensores da «frugalidade feliz» promovem o «menos e melhor»: menos velocidade, menos desperdício. Procura-se uma nova forma de realização num estilo de vida liberto da obsessão consumista, numa «sobriedade feliz» baseada na autolimitação das necessidades.

O ideal é viver com menos bens, mas com mais relações humanas e sociais. Trata-se de alcançar uma transformação profunda de valores e de modelo de sociedade, se quisermos escapar às catástrofes ecológicas e aos impasses do desenvolvimento infinito.

Devemos denunciar radicalmente a sociedade de hiperconsumo? Viveríamos melhor com uma economia de decrescimento e de redução consumista?

O que é desejável e possível neste domínio?

É pouco provável que o ideal da «sobriedade feliz» se torne um modelo dominante à escala mundial: o ideal de frugalidade permanecerá marginal. Em primeiro lugar, a maioria das pessoas continua a associar o consumo à felicidade e tem dificuldade em aceitar a diminuição do poder de compra. Em segundo lugar, o consumismo está profundamente enraizado nas sociedades democráticas e individualistas, marcadas pelo gosto pela novidade, pela procura de bem-estar material, pelo hedonismo e pela «paixão do infinito». Por fim, o capitalismo assenta numa inovação permanente que alimenta o desejo de novidade e molda um consumidor insaciável. Nem as exigências ecológicas nem a simplicidade voluntária parecem capazes de inverter de forma duradoura a dinâmica consumista.

Podemos ser menos dependentes do hiperconsumo?

Novas religiosidades e espiritualidades

A sobre consumo “psi”

Num contexto de combate ao mal-estar, a nossa época assiste ao crescente sucesso das terapias psicológicas, mas também de livros e de cursos de desenvolvimento pessoal, de expansão da consciência e de «desapego». Multiplicam-se os gurus, os coaches, as conferências e as sessões baseadas em diversas técnicas que prometem melhorar a qualidade de vida. É certo que não se trata de produtos materiais, mas constitui, ainda assim, uma forma de consumismo.

Sem dúvida, surgem novas formas de consumo e de procura da felicidade, mas a busca por pequenos prazeres de mercado está longe de desaparecer.

Consumo de mercado, cultura e educação

Devemos propor aos jovens, na escola, outros modelos de vida para além dos da moda, da aquisição de marcas e do turismo.

É necessário desenvolver o ensino das humanidades e a prática artística.

Uma sociedade humanista não pode ter como ideal comprar sempre mais. Trata-se de um impasse existencial, humanista e ecológico.

 

A realização do curso está sujeita a um número mínimo de participantes. Para mais informações consulte as Condições gerais de venda.

O link para assistir ao curso é de uso exclusivo a um participante e intransmissível. Consulte a Política de privacidade para qualquer esclarecimento.

Idioma

Francês

Scroll to Top