Última manhã do Espanto – Festival Internacional de Filosofia com Cynthia Cruz e Viriato Soromenho-Marques

O ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia encerra a sua segunda edição no dia 28 de junho, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, com uma manhã dedicada ao desejo, à literatura, à utopia e aos seus paradoxos. Depois de quatro dias de programação, o festival termina com dois momentos de especial relevância: a palestra da filósofa norte-americana Cynthia Cruz e a homenagem final a Viriato Soromenho-Marques, filósofo homenageado desta edição. 

Sob o tema “Desejo”, o ESPANTO regressa a Cascais com a proposta de pensar uma das forças mais complexas da experiência humana. Não apenas como impulso íntimo ou individual, mas como energia coletiva, política e cultural. Ao longo do festival, o desejo atravessa debates sobre arte, prazer, poder, liberdade, conhecimento e futuro. No último dia, essa reflexão concentra-se no Auditório Maria de Jesus Barroso, na Casa das Histórias Paula Rego. 

A manhã começa com abertura artística por Slowburner e discursos de boas-vindas por Catarina G. Barosa. A primeira palestra do dia, “O Desejo na Literatura Norte-Americana do Século XIX: Nathaniel Hawthorne, Herman Melville e Mark Twain”, é conduzida pelo professor Salvato Teles de Menezes, propondo uma leitura do desejo a partir de três autores fundamentais da literatura norte-americana. 

Segue-se um dos momentos centrais desta manhã de encerramento: Cynthia Cruz apresenta a palestra “O Desejo Como Força Unificadora”. Esta filósofa norte-americana é uma das presenças internacionais em destaque nesta edição do ESPANTO e traz a esta última manhã de festival uma reflexão sobre o desejo enquanto força de ligação, tensão e possibilidade. Depois da sua participação na noite de 26 de junho, numa conversa com Didier Eribon conduzida por Anabela Mota Ribeiro, a autora vai à Casa das Histórias Paula Rego agora para uma intervenção própria. 

A escolha do tema da sua palestra é particularmente significativa num festival que se propõe pensar o que nos move enquanto indivíduos e enquanto sociedade. Ao falar do desejo como força unificadora, Cynthia Cruz inscreve-se num dos eixos mais importantes desta edição: a possibilidade de compreender o desejo não apenas como falta ou procura, mas como energia que aproxima, reorganiza e transforma. 

Depois desta intervenção, Maria João Mayer Branco dá continuidade ao programa antes da palestra de encerramento de Viriato Soromenho-Marques. Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, investigador e conferencista nas áreas do Ambiente, dos Assuntos Europeus e da Filosofia Política, Soromenho-Marques é o grande homenageado do ESPANTO 2026. 

A sua palestra, “Da Utopia à Distopia, ou os Paradoxos do Desejo”, encerra simbolicamente a reflexão proposta pelo festival. Entre a imaginação de futuros possíveis e o risco da sua inversão em cenários distópicos, o filósofo conduz o público por uma questão decisiva: que desejos sustentam as sociedades contemporâneas, que promessas alimentam e que perigos escondem? 

A homenagem a Viriato Soromenho-Marques é um dos momentos mais importantes desta edição. Ao distingui-lo, o ESPANTO reconhece uma obra marcada pela reflexão filosófica sobre a democracia, a responsabilidade coletiva, a crise ambiental, a Europa e os desafios políticos do nosso tempo. Num festival dedicado ao desejo, a sua presença permite pensar a relação entre imaginação política, ética pública e futuro comum. 

Após a palestra de encerramento, a programação prevê discursos de louvor e homenagem a Viriato Soromenho-Marques, seguindo-se o discurso oficial de encerramento. Assume-se, assim, uma dimensão dupla: celebrar o percurso de um pensador central no espaço público português e reafirmar a ambição do ESPANTO de devolver a filosofia à cidade, à conversa e à vida. 

Fora do auditório, os jardins da Casa das Histórias Paula Rego continuam a acolher momentos de participação aberta. A Ágora “Vem Falar com os Filósofos” recebe Onésimo Teotónio Almeida, Gilles Lipovetsky e Sebastian Sunday Grève para palestras e Q&A de acesso livre. A programação para famílias prossegue com “Contos dos 3 Desejos!”, por Bruno Batista, recomendado para crianças a partir dos cinco anos. No Canto de Leitura e Escrita, “Sessenta Minutos Mudos” propõe uma hora de leitura em paz, com mediação de Dani Pierre. 

O encerramento do ESPANTO na Casa das Histórias Paula Rego é, por isso, mais do que o fim do festival. É a síntese de uma ideia: a filosofia como lugar de encontro, escuta e inquietação. Entre Cynthia Cruz e Viriato Soromenho-Marques, entre literatura, utopia e desejo, o festival termina com uma pergunta que fica em aberto: o que queremos ainda imaginar em conjunto? 

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