Manuel Curado

EDIÇÃO 2026 – DESEJO

Pensar e Desnudar o Desejo
Este encontro tem o objectivo de repensar alguns argumentos mais subtis do caso filosófico apresentado na conferência “Desejo para Nada”. Em primeiro lugar, o assunto frio e pouco intuitivo da ontologia do desejo. Como o desejo é um assunto que orbita a subjectividade, explica-se de modo claro o que está em causa no exercício de o ver como uma cebola com muitas películas. Tudo à nossa volta tem estrutura, e o desejo não é excepção. Por isso, em vez de, de modo simplista, as pessoas se entregarem ao deleite do desejo, entrando imaginativamente em mundos possíveis em que serão mais felizes porque realizarão os seus desejos, propõe-se o levantamento das películas finas que o envolvem (sem as deitar fora e sem estragar o conjunto). Este exercício de desnudamento do desejo não pode ter objectivos antecipados. Aceitar-se-á o que se conseguir realizar. Afinal, trata-se de ver o que é mesmo o desejo. Em segundo lugar, o encontro tenta explicar o que está em causa no pressuposto teórico da conferência: a ontologia da semelhança. Mostra-se que o desejo partilha traços do amor, da caça, do desenvolvimento, do inquérito, da intencionalidade, da viagem e de muitos outros processos relacionais. Tenta-se mostrar que esta partilha de traços de semelhança (não de identidade!) apouca o lado subjectivo do fenómeno do desejo. Finalmente, havendo tempo, dir-se-á alguma coisa sobre as referências filosóficas que têm inspirado o conferencista, como Parménides, Platão, Plotino, Francisco de Holanda, Matias Aires e, mais recentemente, Roger Caillois e Paul North.

EDIÇÃO 2025 – O MEDO

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